domingo, 31 de janeiro de 2010

tiquim

e de tanto em tanto um pouco mais se faz

sábado, 26 de dezembro de 2009

o que quero é um monte de tudo o que há de mais melhor de bom nessa vida.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

da janela (de meu quarto)

queria mesmo dançar pedras de mar
chamuscar de gosto os veres de meus olhos
cantar por do sol e avistar meu bem chegar por aqui.

d'outro tempo

Disseram pequenos pedaços
de um barco raso em estrada curva.
Era terra alta
num pouquinho verde
e era terra muita
inundando o barco.
Só.
Sei: barco boiava,
mas quiçá chegara
num destino seu.
O emperrado barco,
desafio pro vento,
era teima do tempo
pra seguir MARASMO.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

9° mês


o dia amanheceu verde para o pequeno garoto que sentava as tardes no passeio de casa. ele, acamado em seu quarto, hoje era preguiça e um naco de fome: bem sonhava nescau com um pouco de bolachas. a irmã do menino que ali perto chorava era criança de pouca data daquelas que agente não sabe o que vêem. mas garoto gostava do seu choro fininho: razão de alevante, motivo pro dia. o menino de instante corrido tava só vontade de ajudar nos cuidados. sempre olhando debaixo, ele um monte que pedia e os grandes pouco que deixavam. aguentava assim a manhã inteira. à tarde, exausto, sentava a vida à porta de casa e esperava o tempo passar nova noite. tão perto no banho, molhava-se com a água que respingava da banheira. ...sem queixas. segurava firme entre os ansiosos dedos o sabonete que vez ou outra sua mãe cogitava. ele, já de banho tomado, retomava em sorrisos depois do melaço na guarda consigo do shampoo e do sabão para o choro fininho. co'a irmã descansada, ele à mesa com os pais, entre sono aos montes e um naco de fome: bem sonhava nescau com um pouco de bolachas. entre outro e um tinha pressa em dormir pois só de manhã choraria outra vez a menina esperada.


para Joaquim que espera Tereza chegar por aqui.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

.....ladeira após ladeira, ela, ingrata, seguiu andando sem olhar pra trás. O sol, que no céu banhava-se, deixava o dia e chorava um pouco. Ela, à espera da lua, nada dele queria e pressa tinha em vê-lo sumir.
.....De tanta pressa parou um pouco. Olhou pra trás. Queria mesmo não tê-lo ali. Sonhou no azul um sol choroso, saindo torto e soube gostar. Sabe se lá se do sol-saída, do sol saindo, ou algo mais.
.....Sei que escureceu e que no espelho-mar não nasceu tanta estrela. Da lua nem ouviu falar. Noite-breu. Pra ela enfim... o sol fez falta.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

hoje chorei de saudade
um saudade imensa
de um grande amor
para Geni

domingo, 27 de setembro de 2009

A menina que descobriu onde se fabricam os peixes




....
Era noite e ela fungava. Tinha o nariz cansado e um pouco de sonho esperando pelo sono. Mal sabia se dormia ali mesmo ou se buscava neste tempo enganar o entupido com assuntos ao acaso. Foi quando lhe veio a idéia de nadar em pensamentos... pensamentos sub-marinos, imaginações salg'aquáticas e questões de bicho-de-escamas.
....Era tanto assunto e era tanto mar que a menina-meio-afogada pensou pedir ajudar e correu a falar com o Velho-das-tulipas. Ela, que ouviu contar um dia destas flores feitas de mentira, tais tulipas, pétalo-seres-fantásticos, deduziu que o velho trataria do mistério com inventada inteligência.
.... Menina d'alma mareada, chegando ofegante, gritou cedo pergunta: onde então se fabricam os peixes? ...disto surgiu resposta: penso, menina, que nas barrigas! ...um pouco faminta, ela ainda: talvez por isso sejam assim tão boas comidas.
....O velho riu, não disse nada.
....A menina, satisfeita, voltou à cama e, com ar passeando solto em suas narinas, finalmente, adormeceu.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

o mundo não pode girar o tempo todo
(ao menos o meu)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

bom dia, flor.

.
me deitei com o mar à noite clara
e contei-lhe do sorriso que ganhei da moça
ele (o que me disse?):
tola,
há tantos outros (para ti)
adormecidos nesta boca
e eu (que não sabia)
corri no quarto
acordei a moça
e disse-lhe:
bom dia!

para Alice Cunha